segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Flor última

Era uma flor de campina
Nativa, completamente e
Decididamente flor.
Nas pétalas, aquela cor
De natureza em delírio
Encantando os olhos do mundo.
Cada dia mais bela
Vicejando aos quatro ventos
Cada dia mais flor
Orgulho da primavera.
Perfume inebriante
Aconchegante
Floral.
E colibris extasiados
Escravos adejantes
Eternamente
Satélites.
Vieram então os feitiços
Os sátiros, as nuvens negras
Cavalgando imenso dragão.
Sete cabeças a flutuar
Sete, com a perfeição do mal
E as lanças do apocalipse.
Os verdes foram tragados
Os ventos se corromperam
Os colibris emigraram.
Das pétalas, palidez mortal
Dos aromas, nostalgia
Da natureza, uma lágrima
Da primavera, a última flor de campina.


Francisco Cleóbulo Teixeira

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