quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Menina moça

Menina-moça faceira
Do olhar malicioso
Por que pões nestes teus lábios
Um sorriso tão mimoso?


Talvez zombes do poeta
Que te olha desejoso
Como querendo engolir
Este corpinho fogoso
E sem poder resistir.


Tens a boquinha pequena
Narizinho arrebitado
Orelhinhas de veludo.
Mas tem um pouco de pena
Não me deixes nesse estado
Querendo devorar tudo.


Esta cinturinha mole
Só falta mesmo falar
E quando ela se bole
Faz o poeta vibrar.
Este umbiguinho tão chique
Merece uma mordidinha
Pra deixar de ser moleque.


Nos teus seios pontiagudos
O poeta vê montanhas
Montes, colinas e picos
Que ele sonha escalar.
Não são grandes nem miúdos
Fofinhos, cheios de manha
Um beijo em cada bico
O poeta quer deixar.


Tens no teu sangue o fogo
E na carne, o desejo
No teu sonho habita o sexo
Na língua, um gôsto de beijo.


Esse teu andar de cobra
Tem efeito de despacho.
Mas não é bom atiçar
No coração do poeta
Os seus instintos de macho.


O poeta é perigoso
Sabe palavras bonitas
E quer te enfeitiçar.
Ele se faz de manhoso
Mas se nele acreditas
Pra cama vai te levar.


Vai revirar teu juízo
Te ensinar maravilhas
E mostrar-te o paraíso.
Vai desvendar teus segredos
Que eram tão bem guardados
E botar na tua boca
O gosto bom dos pecados.


Mas depois não vá chorar
Senão o mesmo bandido
Que roubou tua inocência
Se chega arrependido.
Vem fazendo mil carinhos
Tentando te consolar
E, com certeza, pra cama
De novo vai te levar.



Francisco Cleóbulo Teixeira

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