O burguês sorri para o espelho
- primeiro burocrata do dia -
Confere os dentes, cabelos, hálito
E vai.
Os barulhos do mundo, a mesma música
Do mesmo velho realejo
Mas, sem crianças por perto.
Curva-se ante o relógio, outro senhor
Deste escravo de tantos senhores.
Há às vezes outra música no ar
Mas não há por que ouvir
Para não precisar olhar, porque
Não é criança, tem medo
Do medo que o tem
Que lhe segura os cordões
Movimenta-o e o faz dançar
E depois, guarda-o na caixa
Até amanhã.
Francisco Cleóbulo Teixeira
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