segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Filhos da rua

Ei-los
Filhos sem pais
Meninas-mães de filhos
De quem?
Pela avenida indo e vindo
Sem saber para onde
Nem de onde.
Subsistências
Sempre na rua, porque
De todas as portas, enxotados
Não como cães: os cães ficam.
Espantalhos
Trapos sobre o couro
Couro sobre os ossos
E quase que mais nada.
Deserdados
Andam aos bandos
Mas nunca houve tanta solidão
E o futuro
Não é nem o dia seguinte.
Invisíveis
É da indiferença do mundo
Que vem a mãe de todas as dores.
Então lhes resta a cola
Alimento remédio único, pára
Todas as dores, para todas as fomes.
Todos têm cor de cinza.
São todos cinza.

Francisco Cleóbulo Teixeira

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