domingo, 5 de dezembro de 2010

Chatila e Sabra (Retrato de um massacre)

Chatila e Sabará (Retrato de um massacre)

A Yasser Arafat

Foi profundo o ritual
De tantas mãos descarnadas
Desarmadas.
Toscas, cravando-se trêmulas
De um tremor derradeiro
Na terra santa
Sonhada.
Havia canteiros de olhos lívidos
Guardando a inexpressão de vidas arrebatadas.
Havia cães, carneiros, porcos
Homens, mulheres
Crianças velhas e velhos crianças
Sem luz sem cor sem idade
Na súbita morte enlaçados.
Havia crateras na carne
Sangue na carne, sangue no sangue
Sangue na terra.
Havia uma neblina fina constante
Uma neblina em tudo e para todos
Só não para aqueles.
Mas outros dias virão, e com eles
O Sol virá, sempre vem.
E viva a doce mãe Palestina
Pátria uterina, embrião
Mais do que causa, sina.



Francisco Cleóbulo Teixeira

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