quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Flor do tempo

Qual criança com febre
A mente
À mercê de um delírio.
A máquina cúmplice
Ilumina e devora a estrada
Com a voracidade das feras.
Ela ruge
E meu sangue corre macio
Suave carícia, suave
Entre as minhas artérias...
Eu, a máquina
O conjunto, o efeito
Velocidade...
Sublime, translúcida, fatal.
As pálpebras já pesam
Mas a máquina ruge, e ao longe
Surgem tuas luzes.
Dá-me um tempo
Presenteia-me com a tua distância
A verdade, bem sei, não reina em ti
Não é de ti que ela brotará.
Não dos teus bares sórdidos
Desses copos cheios-vazios
Dessa inércia ululante.
Não dessa vida, ei-la por um fio
Ou de uma morte mulher sedutora.
A verdade brilha no horizonte
Na busca
É flor que brota do tempo.

Francisco Cleóbulo Teixeira

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